Aquecer a economia, proteger empregos e cuidar das pessoas

neri

O dia a dia da população não anda nada fácil e os desequilíbrios do contexto de crise são cada vez mais evidentes. O primeiro deles é a relação entre impostos e os serviços públicos aos quais todos têm direito. No Brasil, o cidadão trabalha até o mês de junho somente para arcar com a carga tributária, que tem a finalidade de financiar a estrutura pública ao seu redor. Em contrapartida, muitas vezes, ele não se sente plenamente atendido pelos serviços públicos, sejam eles de saúde, educação, ou demais segmentos.

Caxias e a região da serra precisam de mais postos de saúde – alguns que atendam em horário estendido, pois existem regiões carentes deste atendimento. A consequente contratação de mais profissionais para dar o devido atendimento, além de desafogar os pronto atendimentos, o pronto-socorro ou mesmo os hospitais, possibilitaria, ainda, o atendimento preventivo.

Precisamos de um investimento maior na educação de nossas crianças e nossos jovens, tanto na questão da oferta de mais vagas em creches e escolas infantis, como na contratação de mais professores. Entendemos que, sem educação, não vamos mudar o atual cenário degradado, motivo de tantos protestos, permitindo oportunizar a chance de um futuro promissor.

A segurança, ou melhor, a insegurança virou motivo de pânico para nossa população, atingindo todas as classes sociais, sem diferenciação. Toda a população acaba prejudicada e à mercê de uma violência que não escolhe hora, local, nem motivo, muitas vezes ceifando vidas por alguns trocados.

Para além dos serviços públicos, uma simples ida ao supermercado é outro momento onde a percepção de prejuízo se materializa, deixando evidente que o aumento do custo de vida tem sido muito maior que a reposição da inflação sobre o salário. Ouvimos no noticiário que a economia dá sinais de melhora, mas para que o trabalhador de Caxias e região, comece, de fato, a perceber mudanças positivas, é necessário que políticas auxiliem no fortalecimento da atividade econômica local.

O encerramento das atividades da  empresa Guerra, no ano de 2017, por exemplo, é um sinal de alerta, mas  o que não podemos deixar passar em branco são as dezenas de pequenas empresas que fecharam e que, somadas, geram um grande lastro de desemprego em nossa região. A economia funciona em cadeia, isto quer dizer que as consequências diretas da falta de incentivos e investimentos não serão sentidas apenas por acionistas e empresários dos ramos atingidos, mas têm impacto sobre toda uma cadeia produtiva que é integrada por centenas de outras atividades, sejam elas relacionadas a insumos, produção, comércio e logística. Isso impacta em milhares de empregos e na renda da nossa cidade.

Investimentos e incentivos para fortalecer e desenvolver os setores que mantém o emprego não são, portanto, demandas isoladas, mas coletivas, de relevância e impacto social. Os mesmos descontos que incidem sobre o salário do trabalhador da fábrica, ou os tributos a que estão sujeitas todas as empresas que integram a rede que compõe a economia local, sustentam as instituições financeiras que tem, como dever, proporcionar as condições de restabelecer o equilíbrio necessário. Cabe a nós, enquanto sociedade organizada, em dia com os nossos deveres e cientes dos nossos direitos, a consciência em relação à magnitude das nossas demandas e a articulação necessária para lutar por elas.

Neri o Carteiro

Vereador do Solidariedade de Caxias do Sul