Cidadania em turno integral

Claudio Janta ceu

Pelo Brasil afora, assistimos a um despertar de consciência entre os jovens, que têm dado múltiplas demonstrações de que, além da educação básica, a cidadania também se constrói nas escolas. Neste contexto, celebramos a aprovação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica de Porto Alegre que determina que as escolas da rede municipal sejam providas de meios para que, progressivamente, passem a funcionar em turno integral.

Esta foi uma das minhas primeiras iniciativas como vereador, apresentada ainda em 2013, no primeiro ano de mandato. Tramitou por mais de três anos e foi aprovada em meio a um momento especial, em que presenciamos cada vez mais demonstrações de que a consciência política e cidadã reencontraram o caminho da escola.

Inicialmente chamado de “primavera secundarista”, em função das manifestações organizadas por estudantes da rede estadual em São Paulo, o espírito de mobilização tem envolvido estudantes de todo o país. A articulação dos jovens não chama atenção apenas para as pautas de reivindicação, mas para um despertar.

Além das manifestações por estrutura e qualificação da rede pública, da adesão às reivindicações salariais do magistério e dos servidores, os alunos têm assumido protagonismo como atores sociais que não estão dispostos a aceitar e se submeter a uma realidade de violência – seja ela exercida pelo Estado, quando relega a educação a segundo plano, ou por agentes externos. Vitimados pelo crime, eles se manifestam em nome da segurança pública. Agredidos pelos mais diferentes tipos de discriminação, eles mobilizam a sociedade e colocam a própria cultura em debate, em busca de respeito.

A escola é o celeiro da transformação do indivíduo em cidadão e precisa ser compreendida como tal. Além de instruir através do vencimento do currículo básico, ela molda as nossas relações sociais, introduz à cultura, às artes, aos esportes e uma série de outras atividades e talentos que, se desenvolvidos, podem ser determinantes para a construção da própria identidade.

Essa importância não pode ser esquecida pelos governos, precisa ser enaltecida e objeto de investimento. Por isso, vamos seguir buscando a aprovação de dispositivos legais que assegurem a educação voltada para a cidadania. É uma obrigação social e constitucional que, no que depender principalmente dos alunos, não deverá ser esquecida.

Clàudio Janta

Vereador de Porto Alegre e presidente do Solidariedade-RS