Pague mais, pague já

Claudio Janta ceu

Aumentar impostos e dificultar o acesso a benefícios e direitos tem sido a principal política econômica de ajuste dos governos. Foram aprovados novos impostos, reajustes dos mais diversos nas tarifas dos serviços essenciais, além de chegarmos ao cúmulo do parcelamento de salários. E não bastou apenas elevar a carga tributária que recai sobre a população, como, em alguns casos, ela também foi antecipada.

A partir deste ano, os gaúchos têm até o dia 27 de abril para quitar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A medida foi justificada pelo governo do Estado como necessária para cobrir a falta de recursos na arrecadação do primeiro quadrimestre. Uma definição que serve ao planejamento das finanças do governo, mas abala, ainda mais, o orçamento das milhares de pessoas que haviam se programado para quitar a dívida nos meses de julho ou agosto.

O governo demanda sacrifícios da população, vendendo ilusões. A luz no fim do túnel continua no mesmo lugar, independente do aumento de impostos e do parcelamento dos salários. As soluções nunca são apresentadas, efeitos positivos não são sentidos e parece que o problema só aumenta de tamanho.

Vivemos uma crise sem precedentes, especialmente no que tange ao tratamento dado pelo Estado ao cidadão, que tenta acostumar-se a uma situação de total falta de segurança, serviços públicos deficientes, produtos e contas cada vez mais caros. Na última cartada, além de nos tirar mais, tiram mais cedo. E a solução? De concreto, só o canhoto da fatura paga.

* Clàudio Janta é presidente estadual do Solidariedade-RS e vereador de Porto Alegre.