Assembleia Legislativa declara o modo de fazer queijo artesanal serrano de relevante interesse cultural estadual

Proposta do deputado Neri, o Carteiro busca preservar tradição centenária | Foto: Marcelo de Gregori
Proposta do deputado Neri, o Carteiro busca preservar tradição centenária | Foto: Marcelo de Gregori

Foi aprovado nesta quarta-feira (18/12) por unanimidade o PL 464/2019, de autoria do deputado estadual Neri, o Carteiro (Solidariedade), que torna de relevante interesse cultural estadual o modo de fazer queijo artesanal serrano.

Segundo o deputado Neri, o Carteiro, a sugestão do projeto partiu de técnicos da Emater e de produtores do queijo artesanal serrano dos Campos de Cima da Serra. Para ele, ao elevar o modo de fazer queijo artesanal serrano a um bem imaterial de relevante interesse cultural do Rio Grande do Sul, o estado dá um importante passo para a preservação dessa cultura, transmitida de pais para filhos há várias gerações.

Ainda de acordo com o deputado, o projeto é uma forma de valorizar e preservar esse saber-fazer que traz consigo séculos de história, cultura e tradição: “Agora possibilitamos ao Governo condições favoráveis para o reconhecimento oficial da atividade no estado, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Estadual, IPHAE e no país, junto ao Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN”, reforçou o parlamentar.

O diferencial do queijo artesanal serrano é o fato de ele ser feito com leite cru, sem passar por processos de pasteurização. A tradição se mantém hoje em mais de 1200 estabelecimentos rurais de 16 municípios gaúchos: Bom Jesus, Jaquirana, São José dos Ausentes, São Francisco de Paula, Cambará do Sul, André da Rocha, Caxias do Sul, Muitos Capões, Monte Alegre dos Campos, Esmeralda, Pinhal da Serra, Lagoa Vermelha, Capão Bonito do Sul, Campestre da Serra, Ipê e Vacaria.

Após aprovação na Assembleia, agora o Projeto de Lei precisa da sanção do governador Eduardo Leite para tornar-se lei estadual.

PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO

Em paralelo ao projeto de lei, o deputado Neri, o Carteiro vem trabalhando para auxiliar as entidades de produtores de queijo artesanal serrano no processo de registro oficial no Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, o IPHAE. O deputado já se reuniu com a direção do IPHAE, Emater e com a Aprocampos para discutir a questão.

O requerimento solicitando o registro do modo de fazer do queijo artesanal serrano como patrimônio imaterial do Rio Grande do Sul está em fase final de elaboração e deve ser entregue ao IPHAE e à Secretaria Estadual da Cultura nos próximos dias. O grupo de trabalho envolve as associações dos produtores de queijo artesanal serrano proponentes: Aprocampos (Bom Jesus e São José dos Ausentes), Aprosãochico (São Francisco de Paula) e Aprojac (Jaquirana e Cambará do Sul), além da Emater, UFRGS e do gabinete do deputado Neri, o Carteiro.

O parlamentar justifica o envolvimento da equipe pela importância de manter essa tradição e não deixar ela se perca: “Além de elevar a autoestima dos nossos produtores e de valorizar a questão cultural, entendemos que a salvaguarda do saber fazer do queijo artesanal serrano vai representar uma excelente oportunidade para a permanência dos pecuaristas familiares nas propriedades rurais e poderá contribuir de forma significativa para garantir a sucessão familiar, criando oportunidade de renda e condições dignas para a permanência dos jovens no campo”, disse Neri.