A culpa não é do trabalhador

Claudio Janta ceu

A agenda dos trabalhadores não emerge neste 1º de maio pela tradicional perspectiva do resgate de conquistas históricas ou de conclamação ao avanço de uma pauta trabalhista. Aliás, nos últimos anos vivemos uma “antipauta”, centrada não na construção de direitos e garantias, mas na resistência a mudanças impostas, que atendem a múltiplos interesses, exceto aos do trabalhador.

Há poucos anos, no auge do pleno emprego, a pauta trabalhista tornou-se, tanto na agenda dos governos, quanto no imaginário da população, algo secundário. Mesmo sem abandonar bandeiras como a redução da jornada ou o fim do fator previdenciário, o movimento sindical brasileiro tinha segurança suficiente, a partir de uma legislação trabalhista sólida, para integrar outras frentes, debatendo aspectos mais amplos das demandas sociais, desenvolvimento regional e política econômica. Retrocedendo 75 anos (o tempo em que foram soberanos os direitos assegurados pela CLT, instituída em 1943) em 5, voltamos à reivindicação do básico: emprego.

Ao aprovar a reforma trabalhista, vinculada ao discurso da modernização das relações de trabalho, o governo tinha responsabilidade de, ao menos, estabelecer garantias diante das fragilidades impostas. Foi incapaz, contudo, de frear o desemprego, que atinge 13,5 milhões de pessoas, numa configuração de menos amparo e mais dificuldades. O descaso com que foi tratada no Congresso Nacional a Medida Provisória que corrigia distorções da nova lei, inclusive a exposição de grávidas a condições insalubres, reforça a sensação de desalento.

Neste Dia do Trabalho, a reflexão a ser feita é em relação ao papel do brasileiro como trabalhador e até quando ele será desdobrado em culpas que não são suas. Pagamos pela crise econômica com direitos e estamos prestes a ver o mesmo acontecer com a aposentadoria pelas ingerências na previdência. Da mesma forma, o ônus da gestão pública não pode continuar recaindo sobre o servidor. Se a força deste país vem do trabalho da sua gente, o trabalhador deve ter consciência do seu papel para sair da berlinda.

Clàudio Janta

Presidente do Solidariedade RS