Assistindo a crise de cima

JANTA1

Há definitivamente uma forte crise na credibilidade do governo federal, que aparentemente se mantém na redoma de vidro do país perfeito vendido na própria propaganda eleitoral. O governo e sua base não têm poupado esforços nas tentativas de negar o tarifaço e até de minimizar o aumento da gasolina, que dentre todos os transtornos causados aos brasileiros chegou agora ao ápice com a paralisação geral dos caminhoneiros, que afetou o abastecimento de diversas regiões. Em vez de enfrentar a crise, o governo prefere sobrevoá-la, a exemplo do que a presidente fez nesta sexta-feira, em visita ao Rio Grande do Sul.

Se a presidente resolvesse deixar de lado o helicóptero utilizado no deslocamento até a inauguração do Parque Eólico de Santa Vitória do Palmar, teria que confrontar a resposta do povo. Teria que ler os cartazes com os dizeres “Produtores de leite cansados de sofrer” e “Fora Dilma”, carregados por trabalhadores do transporte que seguem mobilizados em bloqueio à BR-471, entre o município de Rio Grande e o destino da presidente.

Caso o governo admitisse que o país, e em especial os trabalhadores, começam a ser tragados pelas águas negras do Petrolão, a comitiva presidencial também se faria presente em Rio Grande. Lá, iria conferir a situação do Polo Naval e dos postos de trabalho, que hoje se encontram ameaçados pelos cortes de investimentos da indústria e demissões em massa.

Crise não se resolve com omissão. Que a presidente Dilma acorde, porque a gasolina subiu e subiu muito. Assim como a vaca “tossiu” e continua tossindo com o Pacote de Maldades do qual fazem parte as Medidas Provisórias 664 e 665 que ferem o compromisso com a classe trabalhadora brasileira.

Agora, a resposta vem das estradas e, inevitavelmente, virá das ruas. No dia 15 de março os brasileiros se farão ouvir. Os trabalhadores estão convocados a fortalecer o coro contra o veto à revisão da tabela do Imposto de Renda, contra o Fator Previdenciário, o pacote de maldades e as restrições aos benefícios que lutaram para adquirir. Queremos que o Brasil volte para os trilhos e que a garantia dos nossos direitos volte a ser a força para a retomada do caminho do desenvolvimento.