Contra a corrupção, “pero no mucho”

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A votação do pacote de medidas contra a corrupção, proposto pelo Ministério Público Federal, acabou chegando a um entrave paradoxal na Câmara dos Deputados: a anistia do caixa 2 eleitoral. Na prática, seriam perdoadas as “corrupções passadas”, acabando com a operação Lava-Jato e pintando, mais uma vez, um grande nariz de palhaço no rosto dos brasileiros.

A partir do pacote, fica tipificado o crime relativo à movimentação irregular de recursos de campanha e estabelecidas sanções mais duras. Mas o que se discute nos bastidores são alterações que tornem livres de imputações criminais, eleitorais ou cíveis aqueles que receberam doações declaradas ou não antes da publicação da lei. Os maiores beneficiados, é claro, seriam os acusados de receber dinheiro de empreiteiras e desvios, que afirmam ter usado os recursos nas campanhas e que responderiam apenas por corrupção e lavagem de dinheiro.

O próprio juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava-Jato, já alertou que a aprovação de uma anistia irá interferir nas investigações, nos processos já julgados e, ainda, trazer “consequências imprevisíveis” para o futuro do país, que teria mais uma vez a credibilidade jogada à lama. E, tudo isso, às vésperas da esperada delação negociada com dezenas de executivos da Odebrecht que, pela estimativa, deve comprometer centenas de políticos.

Será necessário que, mais uma vez, as ruas precisem eclodir e reescrever o recado dado quando a pauta era o impeachment? A mensagem sempre foi sobre corrupção, contra a imoralidade nas instituições e a irresponsabilidade com o patrimônio público. Neste aspecto, o que está em jogo no imaginário da sociedade brasileira, já calejada e exausta, é a manutenção do sistema representativo e da confiança nas instituições políticas – que, dependendo do resultado e dos efeitos que se tenha sobre a operação Lava-Jato, podem ser arremessados ao abismo. Não podemos permitir e não vamos nos calar!

Clàudio Janta
Presidente estadual do Solidariedade