Da uva ao vinho: cadeia produtiva que gera empregos

janta tribuna ana

Maior produtor de vinhos do Brasil, o Rio Grande do Sul conseguiu duplicar a produção em 2017, ultrapassando a marca de 480 milhões de litros da bebida e de outros derivados da uva. E não se trata apenas de quantidade, mas também de qualidade. Vinhos e espumantes da serra gaúcha têm recebido destaque em premiações, superando, no paladar da crítica, produtos de regiões tradicionais ao redor do mundo. O desempenho ainda pode melhorar e isso não depende apenas do processo produtivo ou dos hábitos de consumo, mas de política fiscal.

Assim como a produção nacional desenha uma curva ascendente, as importações também tem aumentado. Estima-se que mais de 40% do preço final de uma garrafa de vinho corresponda aos tributos embutidos, como ICMS, PIS/COFINS, imposto de renda, entre outros.

Um valor pesado, que faz a diferença para o consumidor diante de outra escolha atrativa: vinhos importados com preço baixo. Vinhos chilenos e argentinos de boa qualidade podem ser adquiridos a valores menores porque as isenções asseguram uma carga tributária até 20% menor, em função da não incidência do imposto de importação aos produtos do Mercosul.

Esta era uma medida que fazia sentido em outro contexto político e econômico. Hoje, é preciso fortalecer a indústria nacional e a geração de empregos. Analisando mais a fundo a cadeia produtiva do vinho, que inicia pela uva, propriamente dita, temos outro segmento muito importante: a viticultura. De acordo com dados da FEE, o plantio, cultivo e colheita da uva empregam mais de 40 mil trabalhadores. Essa força de trabalho é responsável por quase toda a produção de uvas no Brasil.

Constituindo uma representação organizada e representativa, as vinícolas galgaram algumas conquistas, como a possibilidade do enquadramento pelo simples nacional, em vigor a partir deste ano, devendo reduzir custos, além de desburocratizar e auxiliar na formalização de mais produtores. É preciso que a base da cadeia produtiva, que concentra 90% dos empregos neste processo, também se fortaleça e conte com garantias.

Além das intempéries do clima, os produtores de uva também não estão livres das ameaças das importações, que vêm majoritariamente do Chile. Um setor que simboliza terra fértil, não apenas às uvas, mas à geração de emprego, precisa ser incentivado com medidas que resguardem e fortaleçam a base desta pirâmide.

Clàudio Janta

Presidente do Solidariedade-RS