Diga-me com quem andas, que te direi quem és

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Quando criamos o Solidariedade, uma das nossas principais motivações foi buscar uma alternativa em relação às práticas adotadas pelos partidos em que nos encontrávamos. Uma destas práticas e, para nós, a mais difícil de engolir, era a de baixar a cabeça e fazer acordos com quem traiu os trabalhadores.

Este governo que hoje reclama dos evangélicos, do PMDB, PRB, PROS, escolheu seus aliados. O governo que reclama de traição, não pode reclamar dos trabalhadores, porque nós fomos traídos por eles, em primeiro lugar. Começou quando, ainda no movimento sindical, tentamos reverter o fechamento dos bingos, que custou a demissão de 320 mil trabalhadores, por causa dos escândalos de propina do governo com Carlinhos Cachoeira. Depois, tivemos o Mensalão e a série de escândalos que todos conhecem e têm consciência de que os trabalhadores pagaram a conta, a ponto de o governo destruir com praticamente todos os fundos de pensão.

Dos golpes na pauta trabalhista, o primeiro foi quando o compromisso com a redução da jornada virou pó. Em 13 anos de governo, o PT jamais foi capaz de honrar a principal luta das centrais sindicais. Então traíram a indústria nacional e geraram a demissão de 10 milhões de trabalhadores, que hoje estão na rua, sem carteira assinada e sem direitos, já que, para completar o estrago, editaram as MPs 664 e 665, que excluem esses trabalhadores do direito ao seguro-desemprego, pensão e outros benefícios que poderiam assegurá-los.

O governo sangrou a Petrobras e o BNDES. Aos grandes empresários, deu dinheiro a fundo perdido, que jamais será recuperado. Às pequenas empresas, sobretaxaram com juros impagáveis e altíssimas tributações. E fica a pergunta: quem deu golpe? O governo, que se sentiu traído ontem, escolheu seus aliados. Dizeis com quem andas e eu vos direi quem és.

O Solidariedade e seus 14 deputados justificaram o voto e jogaram limpo desde o início, dizendo muito bem o porquê queríamos impeachment. Não temos malvado, nem ladrão favorito. Todas as acusações que fizeram contra nós, provamos serem infundadas. O processo de defesa do impeachment, que tentam desqualificar, passou pela mais alta corte, onde o atual governo indicou os ministros. E esta alta corte disse que o processo é legal.

Quanto a Michel Temer, ele foi eleito junto com Dilma. Quando foram pedidos votos para Dilma nas eleições, esses votos também foram dados a Michel Temer e não foi a primeira vez, já que a chapa foi reeleita, fazendo campanha ao lado do Eduardo Cunha e dos deputados que hoje chamam de traidores. Representantes que, ontem, escolheram seguir a voz das ruas, do povo que não aceita as traições de um governo que deveria melhorar a vida dos trabalhadores, mas só trabalhou para tornar a sua vida mais difícil, explorando sua mão-de-obra ao máximo, ao optar por não discutir a redução da jornada, explorando o seu salário, quando não quis revisar tabela do imposto de renda e tira até de ganha R$ 1.800 e explora até o fim da vida, quando inviabiliza a aposentadoria de milhares de pessoas.