Nota de repúdio ao estupro coletivo cometido contra a adolescente

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Não foram 33 contra 1, foram 33 contra todas as mulheres!

Esta semana ficamos estarrecidos com a divulgação de um crime absurdo praticado contra uma menina de 16 anos, que foi vítima de um estupro coletivo em uma comunidade do Rio de Janeiro. O fato de os criminosos postarem as imagens na internet perpetuou ainda mais a humilhação da jovem. Trata-se uma barbárie extrema e covardia por parte de 33 homens que agrediram a esta jovem. Esta também representa uma agressão a todas as mulheres.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é estuprada no Brasil a cada 11 minutos. O número pode ser ainda maior, já que apenas 30% casos são registrados. Ou seja, para cada caso público de estupro, tantos outros permanecem ocultos, sem repercussão e punição.

O Brasil registrou, nos dez primeiros meses do ano passado, 63.090 denúncias de violência contra a mulher – o que corresponde a um relato a cada 7 minutos no País. Os dados são da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), a partir de balanço dos relatos recebidos pelo Ligue 180.

Entre estes registros, quase metade (31.432 ou 49,82%) corresponde a denúncias de violência física e 58,55% foram relatos de violência contra mulheres negras. Os atendimentos registrados mostram ainda que 77,83% das vítimas têm filhos e que mais de 80% destes filhos presenciaram ou também sofreram a violência.

Os dados mostram ainda que, entre os relatos de violência, 85,85% corresponderam a situações em ambiente doméstico e familiar. Na maioria dos relatos (67,36%), as violências foram cometidas por homens com os quais as vítimas tinham ou já tiveram algum vínculo afetivo, como cônjuges, namorados, ex-cônjuges ou ex-namorados. Em cerca de 27% dos casos, o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

A sociedade brasileira deve ter tolerância zero a todas as formas de violência contra as mulheres e a sua banalização. Estupro é um crime hediondo, representa a maior violência à dignidade da mulher e deve ser duramente reprimido. As vítimas devem ter todo amparo e condições para evitar a extensão das graves consequências, como o comprometimento da saúde física, mental e emocional.

A sociedade deve também exigir rapidez na apuração, na identificação dos responsáveis e punição dos envolvidos neste crime e de todos casos de violência contra as mulheres.

Estamos assistindo à crescente desumanização e desrespeito ao outro, e as maiores vítimas têm sido as mulheres. Contra a cultura do estupro, prestamos nossa solidariedade à jovem violentada, à sua família e a todas as mulheres.

Clàudio Janta

Presidente estadual do Solidariedade